Queridos homens, não temam as feministas

Não gosto de rótulos. Não gostar é pouco: tenho verdadeiro pavor deles. Digo, não gosto dos rótulos que colocamos nas pessoas, pois os rótulos nas embalagens costumam ser bastante úteis nem que seja pra ver o prazo de validade. Ou se tem lactose, glúten etc… Mas os rótulos pessoais ahhhh… Esses aí só servem mesmo pra perpetuar pré-conceitos. Julgamos o tempo inteiro. E comparamos também. 
É isso que acontece com o feminismo. Pqp! Só de escrever já assusta! Vem a imagem de uma mulher desarrumada, de sovaco peludo, lésbica e esquerdista. Mas qual é o problema em ser uma mulher que não se arruma, não se depila e vota na oposição? (Oposição levando-se em conta o atual governo de extrema direita). Pois bem, nenhum! O único problema e mais grave aqui é que nenhuma dessas características definem a palavra ‘feminismo’ ou ‘feminista’. Ao menos não deveriam. Porém, por algum motivo, o rótulo pegou.
Feminismo tem a ver com igualdade de direitos, não é mulher sendo melhor que homem, como muitos pensam. Feminismo é permitir que a mulher tenha presença participativa. Que tenha voz. Que tenha oportunidade de viver a vida da forma que ela quiser e tudo bem. Uma mulher feminista é uma mulher independente, livre. E, se você for homem, por favor, entenda que por mais feminista que a mulher seja, ela não é ‘anti-homem`. E também não quer ser igual a você. Ela apenas quer ter os mesmos direitos e oportunidades que você tem. 
Coisas que para os homens podem ser banais, como sair com os amigos para beber sem julgamento por este comportamento, pagar as contas (e para isso receber remuneração adequada), investir na carreira antes de investir no casamento… Ok, isso pode já ser realidade para muitas mulheres, ufa! Mas outras tantas ainda estão lutando para se libertar dos papéis secundários e submissos impostos ao longo de séculos por um sistema patriarcal opressor. É tão opressor, que chego até a achar que estou exagerando e que não é pra tanto… só que é! A nossa baixa autoestima, de achar que não merecemos tanto ou que devemos nos contentar com menos, também faz parte disso.
No fundo, toda mulher é feminista. Aquelas que dizem não ser, na maioria das vezes nem sabem o real significado da palavra feminismo e estão tão contaminadas com os ‘rótulos’ que cercam o termo que querem mais é distância. E, ao conhecerem o teor verdadeiro da palavra, em geral acabam se convertendo, mesmo que timidamente, pois rótulos são muito difíceis de se livrar. Mas aos poucos vai!
Fico triste mesmo é com aquelas mulheres que se autointitulam contra o feminismo… Mal sabem que, na verdade, estão tão machucadas, com a autoestima tão baixa, que não acreditam serem merecedoras ou mesmo capazes de assumirem o lugar de protagonistas ao invés de viverem à sombra de outro…
Mulher que se ama, que se respeita, que acredita no seu potencial, é feminista sim! Assim como os homens que realmente amam as mulheres também o são. Aliás, o homem que é contra o feminismo no fundo é covarde, pois não se garante e tem medo de perder sua posição para uma mulher. Tem medo de ter que competir ou conversar ou se relacionar com alguém do seu nível e não abaixo dele. Tem que ser muito homem pra isso. Homem que é homem, também é feminista. 
E calma… Não confunda determinação com dureza… Coragem com falta de delicadeza… Amor próprio e individualidade com falta de carinho… Dá pra ser tudo isso junto. Ou nada disso… E tudo bem. Independentemente de como for, o respeito deve prevalecer sempre. No Dia Internacional da Mulher e em todos os outros dias, sejamos todos feministas!

Ser mulher – uma transformação em andamento

Faz algum tempo que a mulher passou a ocupar apenas o papel secundário. Já temos excelentes protagonistas fazendo história nas mais diferentes áreas. Inclusive no futebol! Pensando a nível Brasil, um país extremamente machista, chega a ser irônico pensar que nosso maior nome no esporte seja o de uma mulher: Marta, eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo. Até hoje, nenhum homem foi capaz de tal feito.

Marta recebendo o prêmio de melhor jogadora do mundo pela sexta vez.

Ironia maior, no entanto, é o que acontece no dia a dia. Não vou nem entrar na questão das disparidades absurdas em relação a salários e oportunidades profissionais no esporte para homens e mulheres porque só isso renderia um texto por si só. Vou focar na cultura (machista sim) enraizada que está por trás disso tudo e que começa cedo, desde a formação da criança.

Na escola, na hora da educação física, adivinha o que acontece? Para eles, futebol, lógico! Para elas, vôlei. Espero que isso já tenha mudado, mas quando eu estava no colégio era assim. Em casa? Ainda são poucos os pais (mães inclusas) que incentivam as filhas a jogarem futebol. Não estou dizendo aqui que todas as meninas devem ou deveriam jogar futebol, mas que ele deveria sim ser apresentado como opção de esporte/atividade física para as meninas da mesma forma que acontece com os meninos.

O futebol, no entanto, é apenas um exemplo bastante oportuno, já que nossas duas seleções estão em campo e permitem certas comparações. O Brasil – futebol masculino – disputa a Copa América. O Brasil – futebol feminino – compete na Copa do Mundo, que já é histórica diga-se de passagem! Pela primeira vez no país, a Copa do Mundo de futebol feminino tem transmissão televisiva e ampla cobertura da mídia. E não só isso: a seleção feminina ganhou uniforme exclusivo (aleluia!) e até álbum de figurinhas. Nada mais justo. Estamos, enfim, evoluindo… Antes tarde do que mais tarde.

Mulheres comentando futebol… Mulheres narrando futebol… Comerciais de camisinha com igual teor apelativo em relação ao prazer feminino e masculino (sim, acabou de passar na TV e resolvi aproveitar o gancho) comprovam que estamos num momento de transformação. E, como todo processo transitório, é doloroso… É difícil ir contra o status quo, nadar contra a corrente, propor uma nova visão… Mas extremamente necessário para que esta visão deixe de ser apenas uma visão e se torne realidade. Seguiremos firmes e fortes nessa luta dentro e fora de campo!